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Coração artificial pode democratizar acesso à saúde cardíaca em diferentes regiões do Brasil

Para especialista, país tem “deserto de assistência” à atendimento cardiológico de alta complexidade, com 13 estados sem realizar transplantes, apesar de representarem 20% da demanda nacional; Imagem: Meramente Ilustrativa
Foto de capa Coração artificial pode democratizar acesso à saúde cardíaca em diferentes regiões do Brasil
Para especialista, país tem “deserto de assistência” à atendimento cardiológico de alta complexidade, com 13 estados sem realizar transplantes, apesar de representarem 20% da demanda nacional; Imagem: Meramente Ilustrativa
Publicado em
19/03/2026

A insuficiência cardíaca avançada é hoje um dos maiores desafios da medicina, menos por falta de tecnologia e mais pelas barreiras que limitam o tratamento. Embora já existam soluções capazes de aumentar a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes, muitos seguem afastados de sua rotina por ficarem sem assistência adequada. Para os especialistas da CardioWays — hub de cardiologistas que visa ampliar o acesso aos cuidados do coração, por meio de uma jornada integrada e multidisciplinar — o cenário brasileiro traz um agravante: o acesso ao transplante cardíaco e às inovações terapêuticas ainda é profundamente desigual no país.

 

Segundo o Ministério da Saúde, todo ano surgem 240 mil novos casos de insuficiência cardíaca em território nacional. Uma das principais soluções para as situações em que não há mais alternativas de tratamento, quando o medicamento acaba sendo recurso meramente paliativo, são os transplantes cardíacos. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), porém, em 2024 o Brasil realizou apenas 438 transplantes, frente à necessidade anual estimada de 1.701 procedimentos, ou 25% do total.

 

Se a necessidade anual de transplantes se mantiver e o número de transplantes realizados crescer no mesmo ritmo da última década (353 em 2015 e 440 em 2024), os procedimentos atenderão 100% dos pacientes somente em cerca de 140 anos; ou seja, perto de 2170, alerta o médico Caio Ribeiro Alves Andrade, especialista em insuficiência cardíaca e cofundador da CardioWays. O especialista enfatiza que, diante desse cenário, traçar um planejamento para o uso de tecnologias de última geração que apoiem os pacientes enquanto eles não têm acesso ao transplante é urgente. 

 

“Não é possível perder mais tempo. Em paralelo à importância de aumentar a doação de órgãos, a Medicina atual já dispõe de recursos altamente tecnológicos para salvar vidas, como os corações artificiais. Há, inclusive, modelos que podem ser utilizados a vida inteira ou enquanto o paciente aguarda a vez na fila do transplante, prolongando sua sobrevida. E aí temos dois desafios principais: disseminar o conhecimento de médicos e pacientes sobre essas novas soluções, bem como facilitar o acesso ao dispositivo, hoje aquém do que pode alcançar”, destaca o médico.

 

Deserto de assistência

 

Ainda segundo as informações da ABTO, São Paulo é a unidade da federação que realizou o maior número de transplantes de coração no país em 2024. No entanto, mesmo com quatro hospitais listados como Top50 da categoria Cardiologia, no ranking World’s Best Specialized Hospitals 2025, da Newsweek/Statista, o estado não atingiu a demanda total dos pacientes. Foram 130 procedimentos, apenas 35% da necessidade local estimada. Minas Gerais vem em segundo lugar, com 80 procedimentos (46%) e Paraná em terceiro, com 43 (45%), de acordo com dados da ABTO. 

 

O Brasil possui também um “deserto de assistência” ao coração em metade do mapa, explica Caio. “Embora concentrem cerca de 20% da demanda por transplantes, com mais de 360 procedimentos necessários, 13 estados das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte não realizaram sequer um transplante cardíaco em 2024”, analisa.

 

Heart as a service

 

Um dos modelos de coração artificial, o Heartmate 3 é o único autorizado pela Anvisa, entrou para o rol da ANS no ano passado e pode impulsionar o atendimento a diferentes casos, no lugar do transplante tradicional. A terapia, contudo, ainda não ganhou tração necessária para suprir a demanda. Foram implantados somente 13 dispositivos no país em 2024, todos na rede particular. Sua tecnologia ajuda o coração original a bombear o sangue, mantendo o fluxo contínuo e estável. Ao garantir a circulação adequada, devolve ao paciente a capacidade de realizar atividades normais.

 

O formato de atuação da CardioWays dá condições de agilizar a implantação da tecnologia. Seu método heart-as-a-service não exige que médicos e hospitais desenvolvam equipes, conhecimento, experiência e tecnologia do zero para realizar um implante do coração artificial. Seus dez cardiologistas, com passagens por alguns dos principais hospitais do país, agregam especialidades que vão da cirurgia cardíaca à terapia intensiva com esse objetivo. Além de realizar a cirurgia para implantar o coração artificial, eles se integram ao corpo clínico dos centros de assistência, elevando a eficiência do atendimento cardiológico e podendo transformar esses locais em referência para suporte complexo à saúde do coração. 

 

“Vai além de uma atuação consultiva. Tem muita prática da equipe. Nesse modelo heart-as-a-service, o hospital que tem uma infraestrutura base para atendimento cardiológico avançado pode, em poucos dias, oferecer com agilidade e segurança as condições necessárias para receber um paciente com insuficiência cardíaca avançada, realizar o implante do coração artificial e garantir o acompanhamento adequado de sua rotina em uma jornada totalmente integrada”, explica a médica Marina Fantini, especialista em insuficiência cardíaca, também cofundadora da CardioWays. 

 

Sobre a CardioWays

 

A alta incidência de insuficiência cardíaca – foram 2,5 milhões de internações entre 2011 e 2021, somente no SUS – levou um grupo de dez médicos, com experiência em algumas das maiores instituições de saúde do país, a unir-se por um propósito comum: oferecer novas possibilidades de tratamento a pacientes que antes não tinham alternativas. Assim nasceu a CardioWays, um hub de cardiologistas dedicado a promover uma jornada de cuidado integrada, humana e multidisciplinar. Entre suas principais soluções está o Dispositivo de Assistência Ventricular Esquerda (DAVE), conhecido como coração artificial. A tecnologia amplia as opções para pacientes inelegíveis ao transplante cardíaco ou que aguardam na fila por um novo coração, oferecendo chance real de recuperação e qualidade de vida. No consultório, parceira do médico, a CardioWays fomenta a visão multidisciplinar de cada caso e aprimora o alcance do cuidado. Nos hospitais, atuando como corpo clínico integrado, fortalece a assistência, adequa fluxos, reduz internações e eleva a eficiência do atendimento cardiológico.

 

 

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