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Antônio Prado

O silêncio protege o agressor. A coragem protege a criança.

Por : Marilita Calgaro Scapinelo . Imagem: Gerada por IA
Foto de capa O silêncio protege o agressor. A coragem protege a criança.
Por : Marilita Calgaro Scapinelo . Imagem: Gerada por IA
Publicado em
16/02/2026

Escrevo este artigo com o coração apertado, mas com a consciência de que o silêncio nunca foi solução. O caso recente registrado em Antônio Prado, na Serra Gaúcha, envolvendo a prisão de um pai suspeito de abusar da própria filha, não é apenas mais uma notícia policial. É um alerta doloroso e necessário. Como mãe e como cidadã, sinto que não podemos tratar esse tema como algo distante. A violência sexual contra crianças e adolescentes acontece, muitas vezes, onde elas deveriam estar mais seguras: dentro de casa. Na cidade e na área rural.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a maioria dos casos de violência sexual contra crianças ocorre no ambiente familiar e é praticada por alguém conhecido da vítima. Isso desmonta a falsa ideia de que o perigo está apenas nas ruas.  O perigo pode estar no círculo de confiança.

Precisamos falar sobre limites

Como mãe, aprendi — e reforço todos os dias — que criança e adolescente, seja menino ou menina, precisam saber que têm direito ao próprio corpo.

Não é exagero ensinar que:

  • Não precisam se sentar no colo de ninguém se não quiserem — seja tio, avô, amigo da família, vizinho ou até mesmo o próprio pai.
  • Não existem “brincadeiras inocentes” que envolvam toque íntimo ou exposição do corpo.
  • Não se guarda segredo sobre situações que causam desconforto.

A inocência de uma criança jamais pode ser usada como desculpa para que alguém ultrapasse limites. Nossos filhos não são objetos de desejo. Não são brinquedos. Não pertencem a ninguém. Eles merecem respeito.

As marcas que ficam

Quem nunca viveu algo assim pode não dimensionar as consequências. Mas especialistas alertam que os danos emocionais podem acompanhar a vítima por toda a vida: ansiedade, depressão, medo, dificuldades afetivas, culpa injusta.

E muitas vezes a criança sofre calada, por medo, vergonha ou manipulação. Mamães, ouçam sempre o que eles querem dizer.

Por isso, precisamos estar atentas aos sinais. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar, medo repentino de determinada pessoa — tudo isso precisa ser observado com sensibilidade e seriedade.

Coragem que salva

Quero aqui fazer um reconhecimento necessário: quando uma mãe rompe o silêncio para defender a filha, ela está escolhendo proteger o que é mais precioso.

A criança será sempre filha.
O marido abusador pode ser ‘descartado’ — e deve ser responsabilizado.

Proteger uma criança não destrói uma família. O que destrói é o abuso. O que destrói é o silêncio.

Um compromisso que precisa ser coletivo

Não escrevo estas palavras para espalhar medo, mas para fortalecer consciência. Precisamos conversar mais com nossos filhos, ensinar limites, acreditar quando eles falam e nunca minimizar desconfortos. Se houver suspeita, denuncie. O Disque 100 funciona 24 horas, de forma gratuita e anônima. Ou procure o Conselho Tutelar da sua cidade.

Finalizo este artigo com uma convicção que carrego comigo:  O silêncio protege o agressor. A coragem protege a criança.

Que nunca nos falte coragem.

 

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